O VELHO BOÊMIO e MADAME Marguerite
Dizem que um velho boêmio não escreve mais , pois é estava
convencido disso antes de avistar na rua do ouvidor uma musa espetacular , na qual depois de certa idade não me canso de admirar , por vivermos no mesmo
grande hotel , resolvi espiar um pouco sua vida seus costumes , manias e mimos
particulares .
Mais uma noite , um criado mudo um abajur
contemporâneo pus-me a imaginar seus hábitos europeus altamente requintados , com uma leveza das coquetes do Rio de janeiro do século passado , ora as
coquetes do século XIX não seriam superadas com a passagem de 20 anos Marguerit que
jamais será Guitier , mas uma mulher entusiasmante , além das expectativas esperadas nessa nova década
de 1920, a espiava 24h por dia , vendo
seus hábitos manias peculiares , conheci
até muitos de seus amantes , mas nenhum desses superara Amadeus Petrovik , homem culto muito bem afamado no
ciclo carioca , de família da alta
aristocracia Russa , deixaram S.Petesburgo no auge da revolução , vindo para o Rio Grande do Sul fazer
negócios com a pouca fortuna que os bolcheviques não puderam usurpar de suas rendas , com o passar dos anos
compraram um casarão no Catete e ali
moraram .
Roubei sem querer as cartas dessa ilustre dama , com a ajuda
da camareira francesa , Madame Lupese ,
uma ladra nata , mas de coração muito bondoso
uma mulher quente na intimidada
eu como velho pude notar a suas astúcias
em cama mesa e banho !
Mas longe da minha maquininha do tempo , talvez quem me lê
possa ver como meu broto , minha adorada ninfa, esfinge , ou minha croche , só
sei que quando eu a vejo eu fico uma brasa mora !isso ardo em chamas que jamais
podem ser apagadas ou contidas , ardo em fogo que se aquece como vulcões , mas
são labaredas tão santas que não conseguem consumir o meu sacro corpo assim
como a sarça de Moises apenas meu coração arde nessas chamas e não se consomem de amor
, Marguerite nunca saberá , nem sequer sabe , não me nota , apenas eu a
venero de corpo e alma e amo tudo o que
ela é capaz de provocar , chama que aquece meu coração , mais ele não é
consumido por esse fulgor apenas queima , queima com tanta intensidade que não
consigo me conter apenas sinto , mas Marguerite que nunca será Guitier saberá ,
guardei meus sentimentos em uma caixa de pandora porventura quem achará?
Ora quem achará
mulher de tamanha virtude e beleza , a noite ela vai a janela do grande hotel
com uma piteira e uma cigarrilha , uma das
mais caras do Rio de Janeiro, cada vez que o cheiro do seu trago me
alcança , meu coração não consegue se conter e queima , queima como nunca antes
, porem meu coração não se consome nessa chama , reaviva os dias desse velho de
quase 80 anos , mas Marguerite nunca me achara novamente .
Ben Lima
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