O som do labor
O vento sopra , a chuva molha o chão
Meu patrão , a colheita chegou
Tocou agogô ,a senzala inteira acordou
... Reluz a vida verde que ainda brota no Bangüê
Já se foram as senhorinhas e sinhás
Vieram ás máquinas,ao canavial ocupar
Meu patrão , que dor pior que dor de amor
Mais ainda toca o agogô,tai eras e pífanos
Lá no Bangüê, seu dotô
Às Lágrimas a brotar . e ao mesmo tempo o canavial a queimar
Pra produzir o lucro pro senhor
Mais ao final de tudo entre trabalhos noturnos , os parafusos aparecem
Assombram o Bangüê , seu doto a liberdade chegou
Logo o nasce um novo pé de cana de açúcar.
Seu doto leitor tenho muito a contar
Pedir mulher e filhos mais ainda continuo á plantar
Não mais no Bangüê , que Lins do rego falô
Sofrir como burro ,ou cavalo de carga senhor
Aqui no engenho , que o barão criou
Com todos os seus descendentes doutores,
Em meio á lágrimas e dores ,chego até a pensar em estudar
Mais a subserviência de mais muito tempo não me restou
Prevalece a ignorância e poucas letras que o barão me deixou
Que Santa Rosa de lima me abençoe
Em meio á essas lágrimas e dores
Que o labor no engenho me deixou
Herdei uma universidade de labor ,ao sons de agogôs
E pouca terra para plantar
O meu amor que tenho por demais pela sinhá.
Benjamim Cainã Dias de Oliveira(manuscrito social Delírios provincianos)
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